Comunicado sobre o cancelamento do Audax Rio

Comunicado sobre o cancelamento do Audax Rio

Gostaria de esclarecer, a respeito de um episódio ocorrido nesta temporada, o qual julgo ser importante o conhecimento de todos.

O Audax Rio teve seu código cancelado, após de uma série de atitudes do clube que ferem a lisura dos nossos processos e vão contra o regulamento.

Relatando o caso:

Como é sabido por todos os clubes, o calendário dos brevets de uma determinada temporada é elaborado em setembro do ano anterior. As datas ali inseridas, após conclusão do processo, são reservadas e publicadas no site do Randonneurs Brasil. A alteração de datas não é possível após esse período. Cancelamentos ocorrem, mas estes devem ser comunicados com antecedência ao Randonneurs Brasil, para que se tenha ciência dos motivos e seja retirada a data do calendário.

Todos os anos temos questões, trazidas pelos clubes, relativas a datas, mas a orientação sempre é a mesma. Talvez os clubes novatos tenham mais dúvidas sobre o tema, as quais sempre foram esclarecidas pelo Randonneurs Brasil. Em temporadas anteriores até houve alguma justificativa para se autorizar a mudança, mas hoje não mais devido a constatação de ser mais prejudicial do que benéfica a mudança de data do evento.

Em 17/02/19 havia sido agendado no calendário nacional um evento BRM 200km pelo Audax Rio.

No dia 15 de fevereiro recebi um email com o aviso do clube de que este evento havia sido reagendado, devido a questão climática que colocaria os ciclistas em risco de morte. Em resposta ao email questionei exatamente sobre a questão de que a mudança de data pelo clube não era um processo autorizado e este não poderia tomar a decisão por conta própria (ou até mesmo poderia ter tentado uma solicitação de alteração se fosse o caso, por alguma força maior, mas assim não o fez). Orientei que esse evento deveria ser realizado na data prevista no calendário sob pena de não ser homologado caso ocorresse. Ainda, foi ressaltado que se o evento fosse realizado em outra data, fossem os inscritos informados de que não seria um BRM e sim um desafio.

Esse assunto foi para o Comitê o qual determinou que o clube sofresse uma medida administrativa. Ficou definido que o clube teria que rever suas atitudes para a próxima temporada, e só organizaria eventos de 200km para reavaliar os processos. Nas últimas temporadas o clube estava recebendo advertências sistemáticas por condução fora do regulamento.

Em abril, ao receber a planilha de homologação do BRM 200 de 07/04/19, tendo sido esta devidamente homologada no sistema do ACP, foi constatado, através de relatos de ciclistas, que a lista dos homologados não representava a realidade dos que realmente haviam pedalado no dia 07 de abril. Constavam nomes de ciclistas que não estavam no evento. Em um primeiro momento pensei que se tratava do evento da organização, que pode ocorrer 15 dias antes ou uma semana depois do evento.

Fizemos o questionamento ao Audax Rio. Passei a relação de nomes detalhadamente para o clube pedindo explicação. A resposta do clube foi de que ele havia incluído na planilha os ciclistas que pedalaram em fevereiro (aquele relatado acima, data alterada por conta própria e que foi orientado a comunicar os ciclistas de que não seria um BRM). Foi constatado através de conversas com ciclistas de que estes não tinham sido comunicados sobre o evento não ser mais um BRM, mas sim um desafio, conforme orientação repassada ao organizador.

O argumento foi de que estes ciclistas estavam indo para o PBP e precisava homologar tais pessoas de qualquer jeito. Me pediu no email que eu não os prejudicasse e que os homologasse.

Aqui, na avaliação do Comitê, e obviamente creio que todos vocês entendem da mesma forma, trata-se de uma fraude.

Lamento muito que tenhamos que lidar com esse tipo de atitude e situação. Não podemos permitir que em nosso meio tenhamos pessoas com esse tipo de conduta.

Por mais que o Audax Rio tivesse que ajudar os ciclistas de fevereiro (e eu entendo isso – ajudar), em momento algum fui procurado para resolver a questão. A decisão foi do próprio Audax Rio em agir assim, sem comunicar e discutir o problema.

Se já não bastasse, em junho, no BRM 400km do Audax Rio (08/jun/19), chega a informação de que haviam ocorrido dois brevets da organização. Um no final de maio e outro uma semana depois da data do brevet. Novamente, enviei uma solicitação de informação a respeito do fato. A resposta foi de que um único evento havia ocorrido. (o evento uma semana depois da data oficial). Pois bem, na planilha de homologação deste evento ( BRM400) foram constatados dois nomes de ciclistas que pedalaram a rota do brevet no final de maio e estavam na lista de homologados. Mais uma vez a falta da verdade imperava na relação do Audax Rio com o Randonneurs Brasil.

Diante destes inúmeros fatos e do desgaste pelas atitudes do clube não havia mais diálogo ou argumentação.

O que dizer a respeito da nossa modalidade se nada fosse feito? É isso que queremos dos nossos brevets aqui no Brasil? Qual seria o papel da organização que representa o clube parisiense no Brasil senão efetivamente observar se as regras estão sendo respeitadas. Ainda, mais importante, os clubes refletem o espirito da modalidade, com idoneidade, verdade, lealdade, dentre tantos outros requisitos necessários para aqueles que têm no ciclismo um modo de vida.

Para muitos a função de representação do Randonneurs é simplesmente figurativa e até mesmo decorativa. Mas não. Tal função demanda trabalho, horas de trabalho e organização, abem de que o Brasil seja reconhecido na modalidade como hoje o é. Somos hoje referência na modalidade e isto não se deu com atitudes como a do clube Audax Rio mas sim com o cumprimento dos regramentos e muita seriedade no trabalho exercido pelo Randonneurs e pelos clubes organizadores. Aliás diga-se muito tempo é despendido na análise de planilhas e correspondências diárias de clubes e a tentativa de sanar e auxiliar a todos da melhor forma possível.

Diante de todas as questões referidas e da seriedade da organização a decisão de suspensão do Audax Rio para a próxima temporada foi tomada pelo Comitê em maio. Em junho foi constatada nova irregularidade. Verificou-se ainda que os eventos de julho foram cancelados e outros realizados sem interesse na homologação dos participantes demonstrando total desinteresse do clube com os BRMs.

A decisão de cancelamento não é tomada por uma única pessoa. Existe um grupo de pessoas que formam o Comitê do Randonneurs Brasil. Esse grupo (atual) teve a infeliz tarefa de analisar os atos deste cidadão e tomar a difícil decisão. O Comitê é formado atualmente por ciclistas Randonneurs de notória experiência e reconhecimento por grande parte dos participantes de BRMs em todo o país. O convite é feito pelo Randonneurs Brasil para uma participação de 2 anos, podendo parmanecer outras temporadas caso não existam novas indicações.

Em 2004, quando comecei a pedalar (por mais tempo e mais longe) e aprender a arte do ciclismo de longa distância fui contagiado por tudo isso. O destino me colocou à frente da oportunidade de assumir a representação ACP e LRM no Brasil em 2011. Eu aceitei a tarefa e a partir disso todas as minhas atitudes de construção do Randonneurs Brasil não foram pensando em mim mas no legado ao ciclismo do nosso país. Após 6 anos e de crescimento extraordinário em números de homologados e novos clubes, não havia mais como conduzir as atividades como fazia quando éramos apenas 7 clubes. O tempo e a manutenção da qualidade do trabalho precisavam de mudanças e então tomei uma decisão de ajustar os valores das homologações com o intuito de viabilizar tudo isso. Não foi uma decisão fácil, pois sabia que teria pressão e correria riscos de colocar minhas intenções à prova de interesses financeiros. Continuo absolutamente tranquilo pois o retorno financeiro somente viabiliza o crescimento da modalidade e de todas as demandas que advém disso, contrariando o que pensam determinadas pessoas, as quais têm no ciclismo somente um meio de ganhar dinheiro, apenas organizando eventos sem jamais terem efetivamente pedalado (o que não é o meu caso, já que sou um ciclista e tenho minha atividade profissional desvinculada do Randonneurs Brasil).

Importante referir que nestes 8 anos de trabalho passamos de 7 clubes brasileiros, para 30 clubes, os quais fazem hoje da modalidade o que ela é, ou seja, possuir o ciclismo de longa distância no Brasil um reconhecimento internacional, o que jamais antes havia acontecido. Nada disso seria possível sem organização, honestidade e seriedade do representante do Randonneurs Brasil e de todos os clubes que fazem parte desta história. A modalidade só existe por ser composta por clubes sérios e honestos. Muito trabalho e dedicação diários são necessários para que os brevets, planilhas, homologações , emails, medalhas e certificados sejam realizados, sendo isso uma cooperação do Randonneurs Brasil para com os clubes que o fazem existir. Sem isso hoje não estaríamos entre os 10 países com mais homologações no mundo. Lamentável alguém entender que todo esse trabalho caracteriza-se como um mero “atravessador de homologações”.

Envio este comunicado com o objetivo de que todos tenham ciência do ocorrido. Não costumo expor ninguém. Não é do meu feitio. Mas diante dos desdobramentos, me obrigo a esclarecer os fatos a todos vocês.

Após a comunicação oficial ao Audax Rio sobre a suspensão do ACP code, passei a receber ataques com difamações e acusações graves ao meu respeito, sendo que em nenhuma oportunidade anterior havia ocorrido qualquer questionamento ou manifestação de contrariedade do referido clube, o que comprova que somente em retaliação à suspensão é ocorreram tais acusações. O Comitê e os clubes receberam emails do representante do Audax Rio com acusações que ferem meu caráter e minha conduta frente ao Randonneurs Brasil. Diante disso foi encaminhado ao Comitê do Randonneurs Brasil um e-mail com descrição das contas e custos do gerenciamento das atividades. Ainda, os clubes foram comunicados via e-mail no dia 31 de julho sobre o cancelamento do Audax Rio e das razões pelas quais houve tal decisão. Estou absolutamente tranquilo sobre os meus atos, bem como da responsabilidade e seriedade com que sempre tratei das questões envolvendo a modalidade. Medidas cabíveis serão tomadas sobre as difamações, ameaças, calúnias e injúrias feitas a mim.

Roberto Trevisan
Representante ACP/LRM no Brasil
Randonneurs Brasil

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